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Vozes do Sarau da Rua

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Vozes do Sarau da Rua
Postada em 09/11/2008 às 10h17.

Desde que fizemos o primeiro sarau eu sonhava em trazer Ênio Romani para a edição de abril, que é quando Lençóis completa 150 anos”, revelou Guirado, na abertura do V Sarau da Rua, no ateliê Sca & Laz, com a presença de Ênio Romani, talvez o maior poeta vivo de Lençóis Paulista na atualidade. No dia anterior ao evento, Romani havia sido premiado com o primeiro lugar no concurso de poesias em homenagem aos 150 anos de Lençóis Paulista, e vale ressaltar, sua presença no evento estava agendada desde o dia 2 de abril. Aos 66 anos, Romani segurou a atenção e encantou o coração do jovem público do Sarau da Rua, e encantou-se também, ao constatar que em Lençóis Paulista havia sim, um espaço reservado para a poesia. Dono de uma rima simples, porém rigorosa (por que não dizer, infalível), e de uma memória de dar inveja a qualquer um dos mais jovens presentes, Romani participou declamando e ouvindo os jovens declamarem, e, ao final do evento, presenteou os organizadores com um impresso da poesia “Pinheiro”, recém-coroada a campeã do concurso de poesias dos 150 anos da cidade.

Ênio Romani se descobriu poeta bem tarde. Ou melhor, assumiu-se poeta bem tarde. Ele próprio sempre confessou que, desde pequeno fazia poesias para impressionar a namoradinha do colégio, mas acabava ficando com vergonha, deixava o escrito na gaveta e lá ele acabava ficando até ir para o lixo. Dá até medo de pensar em quantas boas poesias se perderam nesse caminho. Mas, antes tarde do que nunca, o interior paulista viu surgir um poeta de primeira linha, cantando em versos emocionados as belezas da natureza. E, em maio de 2007, ele começou a eternizar seu amor pelas coisas do sertão, com o lançamento de seu primeiro livro, “Poesia Sertaneja”. E continua produzindo a todo vapor, deixando para o seu público a sensação saborosa de que vem mais pela frente.

Um duelo no sertão

A idéia de ter um convidado especial agradou aos organizadores do Sarau da Rua. Coincidentemente, o artista Cristiano Taioque tinha combinado de lançar seu primeiro cordel, “O Duelo do Diabo e o Menino Cantador” no ateliê do Fernando Laz (os dois são amigos de infância). Surgiu a idéia de juntar as duas coisas, e estava garantido o convidado especial do mês de maio. Nesse mesmo sarau os organizadores perceberam que, em geral, o público havia gostado da déia de uma atração central.

No cenário cultural de Lençóis Paulista, Cristiano Taioque era até então conhecido como músico compositor e instrumentista (muito atuante no underground do interior nos anos 80) e desenhista, quadrinista e cartunista. Também publicou uma série de fanzines, o último deles, o Interioranos, de 2002, onde publicou trabalhos de artistas lençoenses como Billy Mao, Amauri Morelli e os próprios Cristiano Guirado e Fernando Laz.

A participação no Sarau da Rua foi o marco zero de uma nova fase na trajetória artística de Cristiano Taioque, que agora seria conhecido como escritor. O cordel “O Duelo do Diabo com o Menino Cantador” foi interpretado pela artista plástica Verusca Scandarroli, com fundo musical de viola feito pelo próprio Taioque. Depois da apresentação, o artista passou por uma pequena sabatina do grande público, e confessou: já tem outros dois cordéis em andamento, um em estágio mais avançado, outro ainda nos rascunhos. E pode voltar a lançar um trabalho no Sarau da Rua. O convite está feito.


Uma história de imortais

A sétima edição do Sarau da Rua foi a prova de fogo para o formato que vinha sendo moldado pelos organizadores do evento. Dessa vez, além do convidado especial, o tempo dos trabalhos foi dividido em quatro blocos. Os três primeiros ficaram por conta da bibliotecária Marli Montoro, que veio para falar sobre a vida e a obra do escritor, imortal da cadeira 10 da Academia Brasileira de Letras, Orígenes Lessa, talvez o mais ilustre personagem já nascido em solo lençoense.

O desafio era ver se a literatura tomava de fato a atração do público (cada vez mais composto por jovens entre 15 e 21 anos), ou se o Sarau da Rua era apenas um evento diferente para uma noite fria de sexta-feira. O resultado foi mais de trinta semblantes imóveis vidrados na convidada, preservando o silêncio do ar na tentativa de pescar cada palavra, cada gesto, cada informação compartilhada pela Marli. E isso dava a certeza de que sim, a literatura ainda é bem vinda. Na hora, a própria elogiou a atenção do público. E, alguns dias mais tarde, a convidada confessaria ao jornalista Cristiano Guirado. “Me chamaram para falar sobre o Orígenes para dezenas de jovens. Eu adorei!”, afirmou.

Aos organizadores do Sarau da Rua, a participação de Marli Montoro serviu para muitas confirmações, além da certeza de que aquela havia sido a melhor de todas as edições do evento, e mais do que isso, que cada edição era melhor que a anterior. E, por fim, a mais importante das conclusões, a de que o evento cresce no caminho certo, e na velocidade certa.

Orkut
Elias
Responder comentário Elias disse:

Boa idéia botar o flog aqui também, no flogbrasil. MAs achoq ue deviam atualizar mais, colocando fotos de todos os eventos, todos os dias e tal, nem precisava de muito texto, afinal já tem tudo na revista virtual (dava pra ter só o link (difícil de achar esse link, ein?) dela que ficava mais fácil). Se não me engano para encontrar através do google é necessário fazer umas coisas lá (o meu flog mesmo é encontrável pelo google, não sei se todos são, acho que é necessário enviar o link pra eles))...
Força e longa vida ao Sarau (e ao pessoal do flog também)...

18/11/2008 · 09:29

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